Era um dia de semana qualquer, onde o mesmo sol de todos os dias havia surgido em minha janela. Onde as mesmas pessoas de sempre passavam pelo meu caminho. Com os mesmos sorrisos, mesmos olhares e a mesma pressa de sempre. E isso me irritava. A mesmice que eu levava a minha vida, há um ano atrás. Todos os dias os mesmos tipos de conversas, hora para tudo, comer, estudar, telefonar (...) amar .
Brincar.
Brincar de escrever em papeis. Letras de músicas. Românticas, loucas, tristes... Músicas que em uma sequência de trechos fazia sentido. E nós dois estávamos lá, sentados um ao lado do outro, no escuro de uma aula de slides, passando uma pequena folha de caderno meio amaçada com recortes de músicas de amor, de tentativas, talvez frustrantes, de dizer um ao outro sobre o nosso sentimento. Sobre o que talvez, guardávamos nas entranhas do nosso coração. Naquele canto ali, meio empoeirado, meio vazio, meio passado, meio triste, meio mau amado.
Estávamos então no meio de uma emboscada do ridículo e imprevisível amor e seu reality show.
Entre palavras, pontuações e meios sorrisos, estavamos enfim em uma mesma sintonia.
Eu escrevia ... Ele lia e escrevia... Passava o papel... Eu lia e pensava na próxima... Ele olhava para mim...
E em uma conspiração nós sorriamos juntos, um para o outro, nem ao menos entender o que se passava ali diante de nossos olhos... Diante de nossos coração.
E depois de esperar quase dez minutos. Esperar pela completa indecisão dele. De que jeito falar, de qais palavras usar e se é certo amar, chega enfim a verdade nua e crua.
Ele me amava. Ele me queria de uma forma boa. De uma forma que, hoje, eu sei que jamais quis nenhuma mulher.
E eu?
Totalmente sem reação.
Perguntei-me se aquilo realmente era verdade. Inúmeras vezes.
Como pude deixar passar? Eu nunca deixava esse tipo de coisa passar imperceptível por mim.
Como não percebi no seu jeito de me olhar. De falar comigo. De sorrir.
Ele, meu amigo, queria a mim.
Ele se declarou. Abriu seu coração de uma maneira que jamais tinha feito antes. Se expôs ao seu amor secreto. Abriu o jogo e não teve medo da resposta. Ou, talvez teve. Mas o amor é fascinante! Transforma qualquer medo em coragem. Qualquer raiva em querer. Qualquer beijo em amor.
E eu li aquelas palavras quase que devorando, querendo saber o final. E eu não parava de me perguntar se aquilo seria uma música. IDIOTA! Como eu sou estúpida e inocente.
Mas é claro que não.
Aquilo era algo que vinha de seu coração. Vinha da sua mente, corpo e alma. Era puro, singelo e abstrato.
Veio então aquela sensação!
Borboletas no estômago.
Eram mil. Mil e uma. Não, não ... pra ser mais exata, Mil e quarenta.
A pior e a melhor sensação que eu já senti.
Não sabia se eu ficava feliz por saber que eu tinha enfim um admirador ou se ficava triste por estar divida entre o amor e a paixão.
Afinal, eu tinha o meu amor... Tinha a quem amar e me dedicar.
Mas depois desse dia, as coisas não eram mais as mesmas.
E a dúvida pairava no ar... no meu rosto, corpo e pensamento.
Eu me encontrava então dividida entre o amor e a paixão.
Será então, que se tem amor não se tem paixão? Ou se tem paixão se tem amor?
Que confusão. Que bagunça que você me fez.
Entrou na minha vida sem pedir licença e já foi se acomodando em meu coração.
Os dias se passaram. E o que eu sentia ficava cada vez mais confuso. E nós dois? Cada vez mais próximos. Como se a partir daquele dia, nossos corpos tivessem necessidade um do outro. Não carnal, mas apenas estar ali sentados em frente à uma lanchonete qualquer. Jogando conversa e tempo fora. Jogando a razão. A emoção estava se tendo como campiã.
Cada vez mais confidentes. Amigos, companheiros. Cada vez mais parecidos. Como se um refletisse no outro. Segredos eram compartilhados ali, naquele mínimo espaço que se mantinha em um forte abraço no meio de uma festa. O segredo da certeza de que algo ali estava sendo correspondido. Talvez seriam apenas as batidas de coração palpitando no mesmo ritmo acelerado, talvez as bocas caladas, sem saber o que falar, talvez a cumplicidade dos olhares que se insistiam em se cruzar de vem em quando, mas que no final das contas, tudo apontava para um fator, paixão, amor ... sentimentos.
Era disso que estávamos falando um para o outro. Mesmo naquele silêncio que quase me matava por dentro. Ele não sabia o quanto eu desejava entrar em sua mente e saber tudo o que se passava na cabeça dele, ali, naquele momento, naquele espaço, naquele abraço.
E a cada dia que passava, nós sentíamos cada vez mais a necessidade de se ver, se encontrar, abraçar e falar de amor.
Mas mesmo com tudo isso, com toda essa vontade e desejos insanos, nos mantínhamos cada um em seu espaço. Com a sua privacidade de pensamentos e suas incertezas e instabilidades.
E ainda assim, amigos. Mais amigos do que nunca.
Telefonemas constantes, encontros, abraços e carinhos. Tudo na mais impossível inocência.
Era incrível como combinávamos em tudo. Gostos musicais, saídas com os amigos e amigas, jeito de falar, de viver. Eramos feitos um para o outro. Não necessariamente para sermos cúmplices de um amor meio que impossível, mas talvez como amigos, confidentes, amores e paixões.
Estávamos juntos sempre, rindo ou chorando. Um ajudava o outro. E asim, consequentemente, nos completando no que nos carecia.
''Hoje eu acordei mais cedo, E fiquei te olhando dormir, Imaginei algum suposto medo, Para que tao logo, Pudesse te cobrir, Tenho cuidado de voce, Todo esse tempo , Voce esta sob o meu abraço, E minha proteçao.
Tenho visto voce errar e crescer, Amar e voar. Voce sabe onde pousar. Ao acordar ja terei partido, Ficarei de longe, escondido, Mas sempre perto decerto, Como se eu fosse humano, vivo. Vivendo pra te cuidar, te proteger, Sem voce me ver, Sem saber quem sou
Se sou anjo Ou se sou seu amor.
Afinal, quem eu sou? Seu anjo ou seu amor? Tenhos asas?
Anjos protegem, cuidam.
Aparecem invisiveis. Humanos tambem, Quando amam, Quero dizer,
Que ja nao importa
Saber de onde venho Se tudo que sou pra voce é amor.
E se ainda assim Quiser voar, Te levo comigo,
Te mostro as estrelas, Outros alados, Deus. A vida celeste.
Depois voltaremos pra casa
E mais uma vez humanos. Nos amarmos.
Até morrermos, Pra dizer que é seu o anel.
Sou o seu amor na terra, e seu anjo no céu.''
Saulo Fernandes - Anjo
No meio a tantas dúvidas, perdas e descasos nos entregamos à essa dúvida que há tempos nos pertencia. E há tempos sabiamos disso, nós sabíamos que um dia isso ia acontecer.
E na hora certa, no dia certo, em um lugar solitário. Estávamos nós, enfim sós. Enfim juntos.
- Você sabe que tudo o que acontece entre nós nunca vai ser coisa de momento.
O medo tomava conta de mim. Eu já tinha visto esse filme outra vez. De pessoas que deixaram suas preciosas amizades para simplesmente seguir o que a teimosa da emoção e o persistente do coração falavam e repetiam há muitos meses.
Estavam ali, diante da sentença dois corações em jogo. Corações partidos e magoados por diferentes pessoas. E ali, naquele momento, foi como se uma coisa que já estivesse predestinada há algum tempo, finalmente se concretizasse. Desejo, amor, paixão, ternura... Uma mistura de sentimentos dos quais eram difíceis de se especificar.
E estavam lá, os dois, entregues ao que tanto queriam há muito tempo.
Queriam lábios unidos, queriam corpos colados, queriam sentir enfim a respiração do outro em sua face, queriam intensidade, queriam fervor, paixão... amor.
Eu estava confusa. Eram tantas coisas que eu sentia ao mesmo tempo. Tanto sentimentos opostos que se completavam e se contradiziam que quase me enlouquecem.
Não sabia se o que eu realmente sentia era amor ou amizade.
E como em um piscar de olhos, ou em uma semana, depois de vários momentos juntos, eles se separam.
Como pôde isso acontecer? Dois corações tão parecidos. Duas cabeças tão semelhantes no modo de pensar, se separarem?
As vezes, nós cometemos erros. E eu cometi. Ele sabe qual foi. Um erro do qual durou apenas duas semanas. Mas que tolice ein? Mas o amor é tolo em sua própria essência.
Passamos um tempo sem se falar. Sem se olhar.
Eu senti a falta dele. E sei que ele também sentiu minha falta.
Mas eu não sentia falta de seus beijos, nem de suas carícias. Eu sentia falta do seu abraço, do seu sorriso, do seu olhar, do seu carinho feito especialmente de amor.
Nos afastamos e nos reaproximamos de maneira surreal.De maneira súbita e rápida.
Minto. Era como se passassem meses quando apenas mais um dia ia embora.
Eu queria ligar pra ele, pedir desculpas e pedir que tudo voltasse a ser como era antes. Mas não... Permaneci no meu estúpido e sensato silêncio.
Quando eu menos esperava, achando que tudo estava perdido e tinha entregado tudo na mão de Deus, ele reaparece em minha vida, reascendendo todo o carinho e amor que eu sentia por ele.
E isso tudo me fez pensar. Refletir o propósito disso tudo.
Qual a minha conclusão? Boa pergunta.
Tudo tem seu tempo. Tudo tem hora e lugar marcado. Não com você, mas com o seu destino.
Eu sei, eu sei, destino são para tolos que não sabem conduzir suas próprias vidas. Mas, acredite, o destino pode fazer coisas maravilhosas na sua vida.
Quando você pensa que tudo está perdido, lá vem o destino e te prega uma boa peça.
A vida da gente é um teatro, uma grande peça, um grande espetáculo.
Onde rimos, choramos, enlouquecemos, surtamos haha mas que acima de tudo, amamos!
E é preciso ter garra para que mesmo quando a vida te pregar peças você tenha criatividade o suficiente para pregar uma boa peça na vida também.
E aproveite. Não deixe que pessoas e oportunidades e momentos maravilhosos escorram por entre seus dedos, porque talvez seja tarde demais e a cortina do palco já tenha se fechado e você não percebeu.
Eu e ele?
Estamos aqui. Mais amigos do que nunca, confidentes, cumplices e companheiros.
Somos o espelho um do outro e vamos continuar sendo até que a morte nos separe.
THE END. maybe
Ao meu grande amigo.
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